A pesca turdetana e romana

Arte rupestre da Idade do Ferro com pintura de cena portuária e navios nas costas da Turdetânia. (Laja Alta – Cádis)
Tais inovações aportaram com as navegações no Mar Oceano (o Atlântico) dos grandes navios da cidade púnica de Cádis, que interligavam as duzentas cidades e portos da Turdetânia — região que, até à chegada dos romanos, abrangia os povos da Andaluzia, do Algarve.
Regimes de ventos dominantes diferentes dos actuais, com menos nortada, tornavam mais fácil a navegação à vela para norte do cabo de S. Vicente, ao longo da costa alentejana até ao Tejo, acima do qual começava a Lusitânia pré-romana.

Fragmento de prato da Idade do Ferro decorado com gravação de navio mediterrâneo de tipo hippos. (Rua dos Correeiros – Lisboa)
A dieta mediterrânea
A República de Roma apropriou-se dessa navegação oceânica logo no século I a.C.. A província romana da Lusitânia (que então abrangeu o Alentejo e o Algarve) ficou então famosa no mundo antigo pelos seus molhos de peixe, bastante apreciados em todo o Império Romano para tempero de comida: garum e liquamen, feitos de vísceras e sangue de peixe (atum, cavala, sardinha), marisco e ervas aromáticas misturados em pasta fermentada e conservada em sal. Em Milfontes, foi descrita a existência de tanques (cetárias) para o seu fabrico.
Uma das demonstrações sociais de se ser civilizado como um turdetano ou, mais tarde, como um romano, consistia em alimentar-se com produtos da dieta mediterrânea: vinho, azeite, peixe e molhos de peixe.
Foram recuperados no concelho de Odemira, em escavações arqueológicas em terra e em achados no fundo do mar e do rio, objectos dos períodos turdetano e romano demonstrativos das artes de pesca e do consumo de molhos de peixe.