Antropologia | Litoral de Odemira

ANTROPOLOGIA | ETNOGRAFIA

Na secção ABITA [partilha de saberes], o espaço dedicado à Antropologia faz o enquadramento da pesquisa efetuada no âmbito do projeto Homo et Mare, assente em trabalho de campo realizado no segundo semestre de 2015.

 

Nos quatro portos do concelho de Odemira – Porto do Canal e Cais de Vila Nova de Milfontes, Lapa de Pombas, Entrada da Barca e Azenha do Mar – foram identificados sete temas transversais que aqui se partilham: Embarcações, Construção naval, Artes de pesca, Pesca apeada/Pesca da pedra, Marisqueio, Peixes e mariscos, Modos de falar.

Este espaço também contempla uma indicação dos estudos feitos no concelho de Odemira com interesse antropológico.

Porto de Lapa de Pombas. Barcos na amarração.

TRABALHO DE CAMPO

AzenhadoMar_CF_012O trabalho de campo realizado no concelho de Odemira no segundo semestre de 2015, privilegiou:

– a observação dos lugares e dos espaços onde se desenvolve a pesca;

– o conhecimento de pessoas e situações ligadas ao mar;

– conversas e entrevistas;

– registos fotográficos.

A pesquisa ressaltou temas transversais aos quatro portos de pesca do território: Embarcações, Artes de pesca, Pesca apeada/ pesca da pedra, Marisqueio, Peixes e mariscos, Modos de falar.

A singularidade da atividade piscatória tem marcado a identidade das populações que se dedicam a estas ocupações, os seus quotidianos e as suas formas de relacionamento com o meio onde estão inseridos.

O pescador vive em si uma condição fundamental: a pertença ao mar, ao lugar, ao porto, à comunidade onde aprendeu e se iniciou nos trabalhos; a busca constante por novos mares e pesqueiros, onde o peixe e as lotas lhe proporcionam melhores rendimentos. O movimento é permanente, de acordo com a sazonalidade das atividades que respondem aos ciclos das estações do ano.

José do Forno, de Vila Nova de Milfontes, no Inverno, pescava ao linguado a norte de Sines; no Verão, procurava a Sul, nos mares de Lagos, a pescada, o robalo, o sargo. Manuel Pincho, da Entrada da Barca, trabalhou nestes mares, nos de Lisboa, de Milfontes e da Carrapateira, e hoje, perto da reforma, fixou-se novamente no porto onde aprendeu e começou a pescar.

A vida do pescador caracteriza-se por uma circulação constante. Para além das exigências do trabalho da pesca, a circulação revela-se ainda nas pessoas que conhece em cada porto ou no mar, nas famílias e amigos espalhados por diferentes lugares, na escolha dos locais para habitar, nas histórias e narrativas que se estendem a toda a costa que percorre para exercer a sua atividade.

José Maria Oliveira, da Entrada da Barca, casou-se em Setúbal na altura em que lá pescava. Lídia Vilhenha Venturinha, de Vila Nova de Milfontes, nasceu no Cercal e fixou-se naquela localidade, onde por casamento se passou a chamar Venturinha, nome de uma família originária de Sines, que gerações antes tinha saído da Ria de Aveiro.

As embarcações, muitas vezes também oriundas de outros lugares, têm um papel importante na circulação dos pescadores. São um meio para exercer a atividade, permitindo o conhecimento profundo da área costeira. Tal movimento alarga-se às técnicas e tecnologias, porque a primeira curiosidade destes profissionais é a de observar em que condições trabalham os outros, como pescam, que artes empregam, que barcos navegam, que alterações aplicam. Ao que aprendem uns com os outros acrescentam o seu cunho individual, a sua experiência e imaginação, inventando técnicas que pretendem assegurar a eficácia dos instrumentos de trabalho, reaproveitando materiais ou recursos que o mar e a costa lhes oferecem.

Nas culturas da beira-água sobressaem palavras, expressões e conhecimentos que evidenciam uma linguagem própria associada a lugares, objetos e modos de fazer. Uns são exclusivamente locais ou regionais, outros encontram-se em toda a costa. Termos como laredo, palheirão, vaga, bote, bombordo, estibordo, proa, popa, vante, , retenida, teia, caçada, covo, nassa, andiche, braça, nortada, fundeadouro, amarração são usados no dia a dia dos pescadores do concelho de Odemira. O seu contributo para conhecer o significado destas palavras é precioso, tendo sido criados glossários para consulta, incluindo termos de especificidade técnica.

Na secção À BOLINA [navegar entre portos], com a colaboração fundamental de pessoas que habitam no concelho de Odemira e cuja vida, de alguma forma, está ligada ao mar, foram reunidos testemunhos em torno do litoral e dos portos de pesca: Porto do Canal e Cais de Vila Nova de Milfontes, Lapa de Pombas (Longueira-Almograve), Entrada da Barca (Zambujeira do Mar) e Azenha do Mar (São Teotónio). Em cada um destaca-se a respetiva estrutura portuária, histórias de vida e histórias do mar, narrativas que ilustram formas de viver este território e que dão a conhecer múltiplos discursos em torno do mar. Aqui partilham-se memórias e visões do mundo, entrelaçando no espaço e no tempo diferenças de género e de gerações quanto aos modos de vida, às expectativas profissionais e à perspetiva de futuro das atividades ligadas ao mar.

Uma carta geográfica identifica curvas de nível, isóbatas, redes hidrográficas, vias de comunicação, núcleos populacionais e demarcações administrativas. Mas os lugares têm também outras identidades e fronteiras que lhes são atribuídas pelas pessoas. Nos seus mapas mentais associam-nos a recursos económicos, processos técnicos, bailes, festas, convívios e sociabilidades, à contemplação e fruição de paisagens, a desejos e anseios.

Do ponto de vista da navegação e da pesca, os pescadores olham o mar para lá do que é visível veem: desenham mentalmente os contornos das profundidades e o modo como as orografias interferem nas correntes e nas ondas, concebem as artes segundo os locais e as espécies a capturar.

Numa perspetiva de Antropologia Visual, durante a pesquisa efetuada, a fotografia assumiu um papel de relevo, procurando registar o contexto natural e social destes portos, atividades, modos de fazer, gestos e expressões, a par de uma aproximação aos detalhes integrados num determinado ambiente que, no conjunto, evocam um modo de vida particular e em permanente transformação. A seleção feita para ilustrar os diversos temas teve em conta a fotografia enquanto suporte de pesquisa e o seu forte poder de comunicação.

CULTURAS DA BEIRA-ÁGUA
O interesse pelas culturas da beira-água tem motivado a produção científica com vista ao conhecimento da sua especificidade e à reflexão sobre a interação do homem com o ambiente.

O estabelecimento de áreas protegidas e de reserva, a definição de práticas permitidas e interditas são algumas das questões que emergem destes estudos. Também o desporto, o lazer, o veraneio e o turismo têm vindo a conquistar muito rapidamente espaço no seio das culturas da beira-água, implementando novas formas de relação com o mar e introduzindo transformações. A melhoria de condições de vida e de trabalho, bem como a generalização do direito a férias, ampliando o movimento sazonal de pessoas de fora, tiveram um grande impacto nas atividades tradicionais, revelando um território em mudança.

Memórias de gerações mais antigas recordam o tempo em que a pesca sazonal complementava a economia das famílias a par da atividade rural. A sazonalidade passou a ter outra face com a procura de praias, alojamento, peixe e marisco em restaurantes e artesanato local.

A possibilidade de partilha e de comunicação que uma página de Internet oferece poderá trazer novos contributos para valorizar e pensar o território, despertando a curiosidade pelo conhecimento do mundo do mar, em particular dos pescadores.

Por outro lado, estes temas podem servir de inspiração à criação literária e artística. O poema épico e o romance marítimo, a literatura e a narrativa oral, a pintura, a fotografia e o filme são alguns exemplos que demostram o fascínio da relação do homem com o mar.

ESTUDOS

Culturas da beira-água no concelho de Odemira

Até ao último quartel do século XX, os estudos de antropologia e de etnografia no concelho de Odemira focam-se sobretudo no cancioneiro e no cante alentejano (moda, despique e baldão), na arquitetura popular, nas tecnologias tradicionais (incluindo apanha e uso de algas) e nos inquéritos linguísticos. No pós-25 de Abril, ganharam corpo as pesquisas sob o impulso de Universidades e bolsas de investigação e emergiram temas como a identidade dos lugares, a preservação do ambiente, a demografia, o património, os papéis sociais do homem e da mulher, o suicídio, a ética na práxis política e a perceção dos fenómenos culturais e sociais (Catarina Barata/Pedro Prista, 2013).

Quanto à aproximação aos temas das culturas da beira-água, deve-se aqui recordar o lamento de Raúl Brandão causado pela escassa literatura científica e artística sobre os homens e as mulheres do mar, apesar de possuírem um decoro formidável e serem cheios de poesia.

Na verdade, já na época tinha fôlego a produção dos vogais da Comissão Central de Pescarias, assim como a dos naturalistas dos museus e laboratórios universitários. No que toca à costa de Odemira e aos seus pescadores e portos, porém, as referências são passageiras. Citem-se as publicações de 1891, o Estado Actual das Pescas, de Baldaque da Silva, e a parte dedicada à Segunda Circunscrição Administrativa (Zona Centro), que este também escreveu, do Inquérito à Indústria das Pescas. Neste rol e com as mesmas características, a obra de Carlos Diogo Moreira (1987) sobre as populações marítimas na costa portuguesa e, na mesma década de 1980, as publicações sobre comunidades, portos e tecnologias artesanais do Instituto Nacional de Investigação e Pescas. Por fim, nos anos 2000, os trabalhos das equipas do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, que de algum modo atualizam os dados anteriores. O desapego notório destas inquirições por este bocado de costa percebe-se por um trecho de um relatório, não publicado, de João de Lemos (1951-52), do Gabinete de Estudos das Pescas: “… o porto de Vila Nova de Milfontes… não oferece qualquer interesse sob o ponto de vista piscatório. Nem sabemos que noutros tempos a pesca se tenha ali desenvolvido…”

Estes trabalhos abrangem inventários por toda a costa portuguesa. Para um olhar localizado, pode referir-se a pesquisa fotográfica de João Mariano (2006) sobre a apanha submarina de algas, com textos de Rui Santos e Dora Jesus, e a Caracterização das comunidades piscatórias do Concelho de Odemira (TAIPA, 2013). Assinale-se ainda o percurso que conduziu ao estabelecimento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (Resolução do Conselho de Ministros nº 142/97 de 28 de Agosto; Resolução do Conselho de Ministros nº 11-B/2011), a sua filosofia e os conteúdos dos relatórios que se publicaram e as páginas eletrónicas criadas (por exemplo, na Wikipédia).

Com o estatuto de pesquisas académicas e à escala local, foram feitos estudos por António Martins Quaresma, Paulo Mendes e Inês Salema. De António Martins Quaresma, para só citar alguns de maior proximidade às questões das culturas da beira-água, O Rio Mira no sistema portuário do litoral alentejano (1851-1918) (2014), Vila Nova de Milfontes. História (2003a), O turismo no litoral alentejano. Do início aos anos 60 do século XX. O exemplo de Milfontes (2003b), Rio Mira: moinhos de maré (2000), A barca de Odemira (1994); de Paulo Mendes, O mar é que manda (2008a) e “Pescadores, Camponeses, Empresários, Turistas e Percepção do Ambiente na Costa Alentejana” (2008b), sobre as perceções ambientais dos habitantes da Azenha do Mar; e de Paulo Mendes e Inês Salema, Se o mar deixar (1996), uma investigação conjunta acerca das questões do papel da mulher, também nesta localidade.

Em paralelo, com o aperfeiçoamento das infraestruturas materiais existentes em áreas litorâneas (particularmente notória na segurança dos abrigos de barcos e profissionais da pesca, e na conservação e comercialização do pescado) e com o desenvolvimento do desporto e recreio em meio aquático (surf, windsurf, mergulho, vela, remo, pesca desportiva), há um impulso e uma renovação do imaginário e dos ideais das localidades e portos. São dele testemunho as publicações apoiadas pela TAIPA: Mar da Nossa Gente – a pesca, saberes e sabores da zona costeira de Odemira; O peixe e marisco no mar e no prato; Histórias.

Por outras palavras, as inibições simbolizadas pela oposição entre verão, dedicado à pesca e à apanha do limo, e inverno, período de recolhimento, foram substituídas por novas formas de sazonalidade laboral e por projetos como o Cabaz do Mar e os Trilhos de pescadores promovidos pela Associação Cultural e de Desenvolvimento de Pescadores e Moradores da Azenha do Mar em parceria com outras entidades locais.

Em 2015, projeto vencedor nos Green Project Awards, na categoria de Consumo Sustentável, o Cabaz do Mar tem como objetivo valorizar os produtos da pesca locais e levar o pescado da costa de Odemira diretamente ao consumidor.

A esta escala descritiva faz falta, entretanto, o crescimento do número de trabalhos monográficos e, com eles, maior capacidade de descoberta teórica e de terreno. Sejam aqueles que dizem respeito à vida e à história e formação das populações litorâneas, sejam aqueles que, num sentido prospetivo, podem contribuir para a inovação de processos de conhecimento e desenvolvimento.

BIBLIOGRAFIA

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