Arqueologia | Litoral de Odemira

Arqueologia Marítima em Odemira

ArqueologiaMar1A natureza do litoral de Odemira teve uma influência decisiva nos modos de vida das populações que habitaram esta região ao longo dos tempos. Os primeiros povoadores primitivos, quase pré-humanos, arribaram a esta costa em fases muito recuadas da Pré-história antiga, há mais de 100 mil anos.

No decorrer da História do homo sapiens, as comunidades locais provocam impactes decisivos sobre os ecossistemas, do que resultou a atual paisagem cultural.

Esse processo contínuo iniciou-se na Pré-história Recente, quando, no final da Idade do Gelo de há dez mil anos atrás, o processo natural de aquecimento global conduziu nos cinco milénios subsequentes à melhoria gradual das condições climáticas, mas também à subida de cinquenta metros do nível do mar e ao seu avanço em alguns quilómetros para terra, dando origem à linha de costa actual e à formação dos ecossistemas estuarinos, como o do Mira.

Nesses cinco mil anos, as comunidades costeiras acabaram por se adaptar às alterações do meio ambiente e complementar a economia do mar especializada na pesca, marisqueio e caça típica dos períodos Epipaleolítico e Mesolítico, com o modo primitivo de produção de alimentos do Neolítico, cujas maiores consequências foram a agricultura e a pastorícia, a desflorestação progressiva
e o avanço do povoamento para o interior.

O mesmo processo de construção da paisagem litoral foi amplificado entre o período turdetano, iniciado há 2500 anos atrás, e o domínio de Roma, que neste território perdurou entre os séculos segundo antes da nossa Era e o século quinto, durante os quais se estabeleceram as primeiras povoações fluvio-marítimas estáveis e duradouras.

O litoral de Odemira e os seus portos passaram a integrar a encruzilhada de rotas oceânicas mantidas entre o Mediterrâneo ocidental e as costas atlânticas de Marrocos e da Europa. A Lusitânia romana destacava-se em todo o império de Roma pela sua ativa indústria pesqueira.

Homo et Mare

A Arqueologia tem como objetivo o estudos de pessoas do passado, e não somente das coisas que abandonaram ou esconderam.

Os vestígios materiais (arqueológicos) das atividades dos milhares de gerações que nos precederam na Costa Sudoeste testemunham a interação das comunidades humanas com o território litoral, especialmente no que se refere à exploração dos recursos marinhos e geológicos, aliado ao facto de se tratar de um espaço geográ co coerente que confere uma dimensão territorial aos diversos momentos da ocupação humana.

Nessa medida, esses vestígios constituem um incontornável ativo e recurso cultural endógeno.