Estruturas Portuária

Porto da Entrada da Barca, Zambujeira do Mar

A linha de costa entre o Cabo Sardão e o porto da Entrada da Barca é formada por arribas escuras e altas, num trajeto onde podemos encontrar a Ponta da Serva, o Gil da Perna, o Palheirão das Pedras, a Baía da Nau, o Palheirão da Mesa, a Ponta do Espigão e o Palheiranito.

A Praia do Tonel, imediatamente a Norte do porto da Entrada da Barca, distingue-se deste conjunto por ser a única abertura com chão de areia. A costa escarpada mantém-se no troço a Sul – de que se destaca a ponta rochosa do Couço do Porco –, intercalada por reentrâncias de areal já junto à Zambujeira do Mar: a Norte temos a Praia de Nossa Senhora, a Praia da Zambujeira defronte desta povoação e, separada por uma ponta rochosa que entra pelo mar adentro, a Praia dos Alteirinhos. Nestes dois troços, só em situações excecionais um bote poderia usá-los para varadouro devido aos fundos serem pontuados de rochas.

Molhes, rampa, amarrações e apoios de pesca

O porto da Entrada da Barca está situado entre os de Lapa de Pombas e da Azenha do Mar, numa abertura na arriba em forma de Y. No braço que inflete para Nordeste, aproveitando uma depressão natural formada pela Ribeira do Barranco dos Cavalos, foi construída uma rampa-varadouro para os barcos.

O abrigo do porto é naturalmente oferecido pelas falésias, protegendo-o de ventos e vagas dos quadrantes Sul e Norte. Sobre as rochas do lado Norte, o porto possui um paredão de cerca de metro e meio de largura e altura variável, que tem raiz em terra, na base da rampa-varadouro. Destina-se, na maior extensão, a proteger o espelho de água das pedras que rolam das arribas. É num pequeno troço final que faz a proteção às vagas de quadrante Norte.

Nas ocasiões de bom tempo, as embarcações podem ficar nas amarrações colocadas no espelho de água, área que está defendida dos ventos e das vagas dos quadrantes Norte e Sul.

É também costume vará-las com a ajuda de um guincho mecânico, que se encontra no interior de uma casota no cimo da rampa, e de argolas de ferro embutidas no cimento.

O cabo, que está ligado à grua, passa pela argola de ferro mais conveniente em função do lugar onde o barco ficará recolhido. Este cabo é enganchado num anel de metal que se encontra na proa do barco.

Quando puxado, o barco desliza sobre escadas ou escadinhas, artefactos em madeira usados para evitar danificar a quilha ou o costado.

Antes do atual guincho, houve na Entrada da Barca outros dispositivos para puxar as embarcações, instalados num ponto mais alto e sobre a rampa, de que restam alguns testemunhos.

Para apoio às atividades da pesca, os pescadores utilizam os espaços envolventes, de um lado e de outro da rampa e, no cimo desta, em redor do edifício da lota. Estes logradouros têm um carácter precário. Servem para guardar as artes, no essencial, redes, covos e púcaros.

Os aparelhos de rede e de anzol são guardados nas barracas construídas sobre o porto ou nos armazéns em casa dos armadores.

A Entrada da Barca, o Porto de Pesca situado na Zambujeira do Mar

Embarcações

Em 2015 faziam uso deste porto nove barcos, em geral, tripulados por dois pescadores, familiares (pai e filho, irmãos) ou companheiros.

Lota e outras construções

O porto da Entrada da Barca tem um edifício destinado à lota onde é feito o leilão do peixe pescado pelos pescadores deste porto e por pescadores de portos próximos como o da Azenha do Mar e o de Lapa de Pombas. A lota dispõe de câmara frigorífica para conservação do peixe e câmara de gelo. Alguns dos compradores são os proprietários de restaurantes da região.

Sobre o porto encontra-se o quartel da Guarda-Fiscal e um lugar onde foram sendo construídas barracas de madeira, pedra e alvenaria, pelas famílias de pescadores que usavam este abrigo nas épocas de pesca.

Alguns proprietários dos barcos residem neste local, outros na Zambujeira do Mar e no Cavaleiro.
Existem dois restaurantes perto do porto da Entrada da Barca, onde se pode comer peixe e marisco frescos.

Pelo porto da Entrada da Barca passa um trilho da Rota Vicentina.

Sinalização

Assinalam o porto dois farolins sobre colunas listadas de vermelho e branco: o anterior encontra-se num sítio alto sobre o porto e o mar e o posterior a cerca de uma centena de metros para o interior, no meio de vegetação.

Pesca e apanha de marisco

Sob a regulação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, nas arribas envolventes do porto pratica-se a apanha do ouriço, da lapa, do mexilhão e do percebe, bem como a pesca a partir das rochas com linha e anzol e o mergulho.

Com base no porto da Entrada da Barca desenvolve-se a pesca comercial, em especial no Verão, pois as condições de trabalho no Inverno são precárias. Também aqui tem lugar a atividade de mergulho com recurso a embarcações pneumáticas.

Os pescadores profissionais usam aparelhos de rede fundeados (de emalhar e de enredar), palangres para diferentes espécies de pescado e armadilhas para o polvo, covos e alcatruzes de plástico.