História da Região Litoral de Odemira

Porto de Pesca da Azenha do Mar

A povoação de Azenha do Mar pertencente à freguesia de S. Teotónio, entre Zambujeira e Odeceixe, e foi fundada na década de 1960. A existência do porto da Azenha do Mar está intimamente ligada à formação de uma enseada aberta ao Atlântico, protegida por altas falésias e de fácil acesso, que favorecia a actividade piscatória e permitiu que um conjunto de pessoas se fixasse neste local exercendo como principais actividades económicas a pesca e a apanha de algas.

O Porto de Pesca da Azenha do Mar

Os primeiros moradores da Azenha do Mar fixaram-se aqui nos anos 60 do século XX, vindo das localidades mais próximas: Zambujeira do Mar, Odeceixe e Brejão. Nestas três localidades, a agricultura de subsistência, a criação de gado e a pesca no Verão eram as únicas formas de rendimento da população. Naquela época, os camponeses sem propriedades enfrentavam duras condições de vida e as únicas alternativas que se afiguravam eram a emigração para os centros urbanos ou para o estrangeiro. A deslocação para a costa e a pesca surgiam, neste contexto, como uma situação de recurso que evitava a emigração para o estrangeiro e o trabalho assalariado nas indústrias dos grandes centros urbanos.O primeiro grupo que aqui decidiu fixar-se procurava uma forma de sustento e um espaço de liberdade individual e de futuro melhor, tendo encontrado no mar um trabalho sem patrão, rendimento incerto mas de livre acesso, e a possibilidade de construção clandestina na faixa costeira1.

Esta migração começou por ser sazonal, no verão, prolongando-se posteriormente por grandes períodos de tempo, intervalados por pequenos períodos na localidade de origem. Por este motivo, as primeiras habitações da Azenha foram cabanas, feitas a partir de varas de madeira, canas, cordas e junco seco. Eram abrigos provisórios, situados no lado sul da ribeira que desagua no porto natural. Actualmente, já não existem habitações deste tipo. Ainda na década de 70, quando alguns destes migrantes se fixaram definitivamente neste local, surgiram as primeiras barracas,já construídas no lado norte da ribeira. Eram edifícios simples, com uma divisão, mas já com paredes verticais e telhado de uma água. Ainda existem algumas construções deste tipo na Azenha, mas estão convertidas em anexos para armazenar os materiais de pesca ou em espaços de preparação das artes. Em finais dos anos 70, inícios da década de 80, surgem um segundo tipo de barracas, que diferem das anteriores pelos materiais utilizados na construção e pela utilização do espaço. Assim, os telhados de junco dão lugar a chapas de zinco ou de fibrocimento e o chão de terra batida passa a ser coberto com cimento. Nota-se também uma divisão do espaço interno da barraca, definindo-se espaços com funcionalidades diferenciadas separados por meias-paredes de madeira, ou simples cortinas de pano. Desta forma, demarcam-se os quartos, a cozinha e o espaço comum de convívio. Este tipo de barraca ainda é habitada na Azenha. Ao mesmo tempo, surgiam as primeiras construções em tijolo e cimento, mantendo-se no chão e no telhado os mesmos materiais usados nas barracas2.

Estas habitações foram todas construídas clandestinamente. Em 1976, a Câmara Municipal de Odemira iniciou a expropriações dos terrenos tendo, desde então, vindo a legalizar e a conferir existência administrativa à Azenha do Mar e procurou dotar a povoação de infra-estruturas básicas. Desde 1978, que a Câmara loteou terrenos, forneceu plantas arquitectónicas a quem tinha capacidade financeira para construir , instalou água potável, esgotos e electricidade. Cada família teve direito a construir uma casa, sendo a sua construção fiscalizada por responsáveis camarários, quer quanto à localização, como quanto à estrutura arquitectónica e aos materiais utilizados.

Em 2005, a Câmara Municipal de Odemira decidiu proceder à construção de novas casas de realojamento para pessoas que ainda viviam em barracas ou casas de tijolo clandestinas e procedeu a um processo de requalificação e embelezamento da frente marítima, tornando-a mais atraente para o turismo.

Hoje, a Azenha do Mar tem cerca de 50 habitações e pouco mais de 150 pessoas. O porto da Azenha do Mar conta com cerca de 20 barcos de pesca, que ocupam mais de quarenta homens.