Arqueologia | Litoral de Odemira

Marisqueio

marisqueioO Litoral da costa sudoeste, incluindo o de Odemira, está salpicado de vestígios de concheiros – acumulações de conchas de moluscos marinhos – que evidenciam uma exploração intensiva dos recursos aquáticos desde o final da Idade do Gelo até à Idade medieval. Embora com uma expressão mais subtil, o marisqueio e o consumo de marisco e peixe junto do mar mantêm-se até aos dias de hoje, demonstrando como, desde sempre, os pesqueiros constituíram verdadeiros locais de aprovisionamento para as comunidades de todos os tempos.

Para além dos restos consumidos (peixe, lapa, ostra, berbigão, percêve, búzio, caramujo) recolheram-se ferramentas, quer elaboradas sobre seixos escolhidos no local, quer feitas com minúsculas componentes de sílex (procedente da zona de Sagres e/ou da Arrábida) e de quartzo hialino: estas são ferramentas complexas, como os arpões utilizados na pesca e os utensílios usados no amanho e confeção do peixe (descamação, corte, filetagem).

Concheiros

Littorina littorea, concheiro de Pedra do Patacho (VN Milfontes)

Littorina littorea, cocheiro de Pedra do Patacho (VN Milfontes)

Nos concheiros identificam-se também vestígios do consumo de peças de caça (veado, boi selvagem, javali), o que confirma que estas comunidades tinham acesso a produtos diversificados.
Muitos destes locais eram ocupados apenas temporariamente, na primavera e no outono, um hábito antigo que se manteve, pois ainda em época recente era costume as pessoas juntarem-se no carnaval e nas maias para a apanha de marisco e seu consumo à beira-mar. Mas nalguns concheiros, a presença de estruturas para a separação funcional do espaço vem confirmar a existência de alguns estabelecimentos permanentes, como Fiais. Nestes locais, as lareiras identificadas, para além do conforto que representavam, permitiam a confeção diversificada de alimentos (cozidos, assados, ao vapor…) e o desenvolvimento de técnicas para a sua conservação (fumado, salgado).