Estruturas Portuárias

Portinho do Canal, Vila Nova de Milfontes

O Portinho do Canal – outrora conhecido por Porto das Barcas – localiza-se numa costa de rochas e arribas, intercalada por pequenas praias, cerca de 13 milhas a Sul do Porto de Sines e pouco mais de 1 milha a Norte da foz do Rio Mira.

Se percorrermos este litoral, de Norte para Sul, encontramos os barrancos do Queimado e dos Aivados, a Praia do Malhão e o Malhão ou Pinhal Manso, o Curral Cercado, a Angra da Serva – uma pequeníssima praia de areia –, a Ponta do Ladoiro, os Peões de Vasco Eanes e o Pianito. Estes últimos anunciam a entrada no Canal, onde se veem dois grandes penedos, o Palheirão de Terra, no extremo da muralha do porto, e o Palheirão de Fora, onde costumam pousar aves marinhas.

Diante da praia e das falésias que seguem até à foz do Rio Mira, observa-se o Palheirão Furado e a Baixa do Cavalo em frente, a Pedra do Soldado, a Pedra Patacho e a Pedra da Foz. Depois desta temos a Praia das Furnas, um areal sob a arriba, e a Pedra da Atalaia.

A povoação mais próxima é Vila Nova de Milfontes, à qual o porto está ligado por uma estrada que atravessa uma paisagem de medos e vegetação, em geral, escassa e rasteira.

Molhes, rampa e amarrações

A falésia que prolonga a Ponta do Ladoiro abriga o porto de ventos e vagas do quadrante Norte. Existe um molhe-cais, colado ao contraforte da arriba, seguindo-a em toda a extensão que está virada a Sul e num pequeno troço da parte orientada a Oeste. É nele que estão instaladas as estruturas de apoio à navegação e pesca.

A muralha que faz a proteção do lado do mar inicia-se no final do extremo Sul deste molhe-cais e, correndo paralela à arriba, vai assentar numa rocha que se encontra na água, o Palheirão de Terra

Os dois molhes a Norte e a Sul conferem ao porto um formato retangular, com orientação Este-oeste. As embarcações entram nele por uma estreita passagem, que se alarga à medida que navegam para o lado oposto, pois o cais é paralelo à linha da arriba e ganha espaço quando esta inflete para Sul.

Os barcos de boca aberta e os de cabine têm as suas amarrações no interior do Canal. Existe uma pequena rampa no molhe-cais, do lado Norte, servida por um guincho mecânico. Aqui podem ser efetuados alguns consertos e tarefas de manutenção das embarcações.

O Portinho do Canal é considerado o abrigo mais seguro na costa do Concelho de Odemira. É frequentado por embarcações de boca aberta e motor fora de bordo, mas também por barcos com cabine e com motor ao centro que, em determinadas épocas do ano, fazem a pesca em águas da costa algarvia ou a Norte deste porto (por exemplo, o Neco). Estas embarcações, em madeira e em fibra de vidro, são unidades de pesca local e costeira. Com parte da sua logística neste porto, também nele procuram abrigo alguns barcos de recreio e pesca desportiva.

Estabelecidos atrás do cais Leste estão os armazéns de pesca: três conjuntos de edifícios de cimento pintados de branco, com telhados de duas águas, somando dezassete “apoios de pesca” em torno de uma praça com a forma de um triângulo equilátero, que serve de logradoiro comum, bem como o espaço adjacente. Esta área é usualmente utilizada pelos pescadores para a preparação e a limpeza de artes de pesca. Neste cais foi instalado um posto de fornecimento de combustíveis.

O edifício da lota do pescado situa-se no início do molhe-cais do lado Norte, no interior do Portinho do Canal, frente à zona onde acostam as embarcações enquanto descarregam o pescado. Dispõe de câmara frigorífica para conservação do pescado e de uma câmara de gelo.

Próximo da entrada do porto existem dois restaurantes, um no início do caminho que desce para o molhe, outro no largo onde termina a estrada que faz a ligação entre este porto e Vila Nova de Milfontes.

Pesca e apanha de marisco

Neste litoral, e no rio Mira, faz-se o marisqueio e pratica-se a pesca desportiva à cana com linha e anzol: de fundo, à boia e ao sentir. Estas atividades, bem como as pescarias comerciais, encontram-se sujeitas à regulação do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

A maioria das embarcações da pesca comercial que opera nestas águas do concelho de Odemira recorre ao Portinho do Canal. As artes mais usuais são as redes fundeadas de emalhar e enredar, palangre fundeado (com anzóis de número que corresponde às espécies que se pretendem capturar) e armadilhas (covos de malha rígida de polietileno e alcatruzes de plástico).

Procuram também este abrigo alguns barcos de pesca desportiva cujas empresas estão sedeadas no concelho.

Sinalização

Dentro do Canal, a menos de uma centena de metros um do outro, próximo do edifício da lota, estão colocados dois farolins de apoio à navegação, ambos instalados sobre colunas listadas de vermelho e branco: o anterior a Oeste do edifício da lota e o posterior a Leste.

O Portinho do Canal em Vila Nova de Milfontes

Cais de Vila Nova de Milfontes

O Cais da margem direita do Rio Mira foi um entreposto importante de mercadorias e abastecimento local no passado.

Embarcações

No presente, acostam ao pontão flutuante do Cais embarcações de recreio, como um moliceiro trazido da ria de Aveiro, que nas épocas de turismo mais intenso percorrem o curso do rio entre Vila Nova de Milfontes e Odemira.

Sobretudo na época de Verão, é costume haver neste cais um bote a fazer a travessia para a margem Sul do Rio Mira. Mais a montante existiu em tempos uma jangada que também atravessava o rio.

Amarrações e rampa

As embarcações que entram e permanecem aqui têm condições de amarração seguras na área defronte do Cais.

A montante do Cais existe uma rampa onde se varam barcos e se fazem pequenos consertos e trabalhos de manutenção. Algumas embarcações, como Zé-Zé, que serviu a apanha do limo na Azenha do Mar, jazem neste local.

Armazéns e outras construções

Foram instalados no Cais seis pequenos armazéns onde os pescadores e marítimos que fazem uso das águas do rio guardam os seus aprestos.

No passado, existiu nesta área um estaleiro onde se construíam e consertavam embarcações. Neste local fazia-se o bota-abaixo dos barcos, sendo puxados e empurrados até à beira-rio sobre troncos de madeira. Também era aqui que se fazia o bota-abaixo dos barcos construídos na oficina de José Delgadinho, situada na vila.

Nesta margem do rio, próximo da foz, está o edifício do Instituto de Socorros a Náufragos e a lancha salva-vidas.

Sinalização

Na margem Norte do Rio Mira, a bombordo das embarcações que entram na barra, há uma lanterna-farolim na esquina que está virada a Sudoeste da chamada Casa do Faroleiro.

Como a barra se encontra geralmente muito assoreada, só dá entrada segura de dia e com maré cheia.