História | Litoral de Odemira

Turismo e Balnearismo

O habitat sempre fora difícil nesta costa sem portos, atacada por piratas, fustigada pelos ventos salgados e sem boas terras de cultivo. Desde o século XIX, que o turismo ia conferindo ao litoral uma certa importância que até aí não tivera. Porém, será apenas a partir da segunda metade do século XX que a afluência à praia irá aumentar exponencialmente, tornando-se uma das principais actividades económicas das localidades costeiras, o motor do seu desenvolvimento e de atracção/fixação de população.

No princípio do século XX, o botânico Gonçalo Sampaio, que tinha família em Odemira, deixava o seguinte retrato pitoresco sobre Milfontes:

“Em frente de Milfontes o mira alarga-se consideravelmente, para formar um lindo porto sobre o qual se eleva a povoação. É esta uma terra verdadeiramente encantadora, com as suas casas pequenas e muito caiadas, com a suas ruazinhas limpas, com o seu velho castelo quase em ruínas, levantando-se abruptamente sobre o espelho claro do rio, com a sua vista para o mar, com o seu ar fresco, cheirando a algas, e com os seus brejos cercados de sebes e madressilvas. Lembro-me agora com saudade desta deliciosa e tranquila aldeia de pescadores onde passei alguns dias felizes da vida e onde, certamente, não voltarei mais.”1

Hoje, o cenário já é outro. Derramando-se pelos areais das praias de Milfontes, do Almograve, da Zambujeira e de S. Teotónio, o fluxo de turistas engrossou de ano para ano e toda esta faixa de costa de tornou num apetecível bem de consumo e cenário de outra territorialidade, com o espaço a ser apropriado pelas actividades turísticas e a ocupação de carácter urbano. Estas praias tornaram-se as novas coqueluches turísticas do Sul de Portugal, atraindo cada vez mais portugueses e estrangeiros a esta “terra verdadeiramente encantadora”.

Turismo e Balnearismo no Século XIX

As primeiras referências ao turismo nesta região são de autores estrangeiros e remetem-nos para a literatura de viagens do século XIX. George Landmann, coronel no Corps of Royal Engineers, numa estadia que realizou por Portugal e Espanha esteve em Milfontes, que achou muito agradável e chegou a desenhar uma estampa com a “linda vista” que observou2. J. Taylor (Isidore Justin Sèverin, barão Taylor) refere as altas figueiras junto ao fosso do castelo e os floridos aloés que circundavam o estuário e os caminhos. E desenhou um moinho de vento com cobertura de colmo, situado nos arredores3. Por seu lado, Henry John George Herbert, 3º conde de Canarvon, deleitou-se com a visão do oceano, em dia de forte rebentação marítima4.

Todavia, no século XIX e até meados do século XX, quem frequantava as praias do concelho de Odemira era a população local. Desde há muito que a população camponesa descia até ao mar, nos dias 24 de Junho (nascimento de S. João) e 29 de Agosto (martírio de S. João), juntamente com os animais, para tomar os banhos santos e divertir-se em “músicas” e “danças” que duravam até de manhã. Estes banhos santos, de origem pagã, com o imemorial e ecuménico simbolismo purificador e regenerador da imersão na água, mantiveram-se até há bem pouco tempo. E, apenas na segunda metade do século XX, foi proibida a presença dos animais por motivos higiénicos. A prática dos banhos santos está documentada em toda a região, de Porto Covo a Aljezur.

Ainda em finais de setecentos, frei Manuel do Cenáculo Vilas Boas, bispo de Beja, escolheu Sines para repousar e recuperar a saúde com o ar do mar, aqui passando frequentes temporadas. Porém, a associação de propriedades terapêuticas ao ar e à água do mar começam a ser difundidas, sobretudo, no século XVIII, em conexão com os conceitos naturalistas aplicados à medicina. Será a partir desta altura que as elites do concelho de Odemira começam a ir a banhos durante o Verão, sendo as principais estâncias balneares Milfontes e Sines.

As primeiras notícias sobre banhistas em Milfontes são da primeira metade do século XIX. Em Maio de 1846, o administrador do concelho do Cercal oficiava a respectiva câmara para que houvesse um talho de carne todos os sábados em Milfontes para abastecimento do povo, das embarcações que frequentavam o porto e das famílias que para aqui vinham tomar banhos5. Para Milfontes vinham as principais famílias de posses do concelho de Odemira, que seriam pouco mais de uma dúzia. Estes gozavam de prerrogativas excepcionais: podiam fazer a travessia do rio em qualquer bote, entre o primeiro dia de Julho e o último de Outubro, até às 11 horas da manhã, sem obrigatoriedade de recorrerem à barca da passagem. Em 24 de Outubro de 1897, o jornal O Odemirense noticiava: “Neste momento Odemira ainda está quase deserta, encontrando-se a maior parte das principais famílias veraneando por diferentes praias, sendo a maior concorrência em Milfontes e no Almograve”6. É claro que o jornal referia-se às principais famílias da vila, estando as classes populares ausentes da secção social do periódico.

No entanto, o alegado poder curativo dos banhos salgados e o efeito de imitação das elites, acabaram por atrair à praia pessoas de menor poder económico, em busca de tratamento para algumas doenças.
Estes camponeses vinham em carroças, muitas vezes ficavam alojados em barracas improvisadas, e frequentavam praias menos qualificadas e lugares não frequentados pelas elites. Eles acabavam por se isolar, não compartilhando dos mesmos espaços de sociabilidade e os mesmos padrões de sociabilidade e sofisticação das elites.

Nas suas memórias, D. Maria Dores Cabral Parreira Lobo de Vasconcelos, de Santiago do Cacém, nascida em 1887, frequentadora da praia de Sines, descreve os banhos da sua infância.

“A hora de irmos para a praia era sempre antes das sete da manhã! Às sete e meia, o mais tarde, entrava-se na barraca para mudar os fatos, depois […] de mãos dadas com o banheiro Augusto, duas de cada lado, entrávamos no mar! […] Tomávamos o primeiro mergulho entre aflições horríveis e medo, o frio da água, um horror! Depois outro mergulho e mais outro, depois de cinco mergulhos o banheiro dizia: “Tem abondo”! […] antes das oito horas estávamos em casa, fazia muito mal sol depois do banho”7.

D. Maria Lobo de Vasconcelos também descreve os fatos de banho utilizados pelos banhistas, num retrato bastante elucidativo da moda de praia da época:

“Até aos oito anos os fatos eram de flanela branca com fitas vermelhas a guarnecer, calça justa por baixo do joelho, casaquinho com dois palmos abaixo da cinta, gola à marujo, cinto do mesmo com os ditos enfeites! Depois dos oito anos o modelo dos fatos mudou. Eram de flanela azul-escuro e preto, aos quadrados, vestido inteiro avivado de nastro banco, botões à frente, fazenda pesada, por baixo, de calça de ganga azul escura com um palmo da mesma beata a enfeitar! As senhoras tinham capa da mesma baeta com capuz, enfeitados com os mesmos nastros […]. Nos pés, sapas de lona com fitas vermelhas a ligar as pernas”8.

Nesta altura, a época balnear prolongava-se até finais de Outubro. Alguns proprietários rurais, só depois de meados de Agosto, trabalhos concluídos e rendas recebidas, é que podiam “ira a banhos”. Para quem tinha casa na praia, a solução passava por, muitas vezes, levar primeiro a família.

A importância de Milfontes como estância de veraneio foi crescendo ao longo do século XIX, de tal forma que em 6 de Junho de 1877, a Câmara Municipal de Odemira, por proposta do seu presidente, José Francisco de Sousa Prado, pedia uma estação telefónica para Milfontes, atendendo à sua importância como porto e estância de veraneio.

A frequência das praias no Verão também vinha animar a economia local, pois o apoio aos banhistas, em habitação, alimentação e numa multiplicidade de serviços, gerava proventos económicos. Nesta altura, o próprio consumo de pescado aumentava, pelo que a pesca se tornava uma fonte de rendimento extra para muitas famílias.

Turismo e Balnearismo no século XX

Com a República, o turismo passou a ter, em Portugal, uma expressão constitucional e legislação específica. Por decreto de 14 de Março de 1923 e de 1 de Novembro de 1926, foram classificadas como “praias” Sines, Porto Covo, Vila Nova de Milfontes, Almograve e Zambujeira9. As praias estavam classificadas em três categorias, sendo estas praias de nível 3. A classificação servia essencialmente para efeito de cobrança de taxas para armar barras e toldos.

A praia deixava de ser um lugar cuja frequência tinha, sobretudo, fins terapêuticos, para passar a ser um local de descanso e diversão. Com os banhistas vinham também os divertimentos próprios dos centros urbanos, como o teatro, os concertos, os bailes e o animatógrafo desmontável que passava cinema. Além disso, os próprios banhistas organizavam diversões para ocupar os seus dias, como os passeios pelo campo, pela praia e pelo rio de barco a remos e “motogodille”. Também ocorriam actividades desportivas, como as regatas no rio. E eram comuns as festas locais, próprias das sociedades rurais e que traziam animação às ruas das localidades.

As praias do litoral alentejano começavam a ter alguma projecção a nível nacional, ainda que tímida. Em 1918, a Sociedade de Propaganda de Portugal citava no concelho de Milfontes as praias de Milfontes, Almograve e Zambujeira, que eram frequentadas sobretudo “por povos das imediações, cujas necessidades de vida lhes não permitem a deslocação para praias de outra ordem”10. Os veraneantes sem casa própria alojavam-se na casa de familiares e pessoas das suas relações, ou em quartos de aluguer Alguns banhistas construíram casas próprias, de veraneio, com vistas privilegiadas para o estuário. Os que alugavam casa montavam geralmente uma logística, em que tudo o que era necessário, de roupa de cama e apetrechos de cozinha, às criadas de servir, e até comida, eram transportados para a casa de férias. Dizia-se que nos maus anos agrícolas, não havia lavradores doentes, a precisar de praia; só nos bons anos, quando o rendimento da terra permitia maior desafogo económico, é que muitos lavradores desciam ao mar.

Em relação aos entretenimentos, refira-se que nos anos 20 foi fundada, por alguns comerciantes e proprietários de Milfontes, a Sociedade Recreativa Milfontense, onde se realizavam bailes, se jogava e convivia. As épocas festivas também eram aproveitadas pela população para se divertir: o Santo António e o S. João, com as suas fogueiras e mastros eram uma época privilegiada; no 1º de Maio, faziam-se regatas de botes à vela; no Entrudo havia máscaras, brincadeiras e “enterro do Entrudo”; e as festas religiosas, nomeadamente à santa padroeira.

A oferta de divertimentos também foi evoluindo no tempo, de acordo com as novas exigências dos banhistas e os novos gostos e modas. O cinema ao ar livre passou a ser um dos principais meios de diversão. Nos anos 30, a barraca de cinema era montada na Barbacã, com sessões animadas no início e nos intervalos por um trompetista. No mesmo local, nos finais dos anos 40, os filmes eram projectados na parede de uma casa, comentados pelo projecionista. O próprio castelo era aproveitado para estas projecções cinematográficas. O Estado Novo com a sua máquina de propaganda, liderada por António Ferro à frente do SPN/SNI fez chegar Milfontes o seu “Cinema Ambulante”, com filmes que exaltavam os valores “nacionais” e “populares” e que chegavam regularmente a Milfontes. Igualmente chegou o “Teatro do povo”, ambulante e ao ar livre, com actores profissionais, que trouxe até aqui, nas suas jornadas estivais, a preços reduzidos ou gratuitamente, um relativamente variado e apreciado repertório, principalmente de peças de carácter histórico e religioso.

Em 1943, foi criada uma feira anual, inicialmente a 1 e 2 de Setembro, depois a 8 e 9 de Agosto, a montar no Cerro da Forca, onde havia divertimentos e espectáculos, entre os quais, o circo. Em finais dos anos 50 e princípios dos 60, a feira passou a realizar-se na Avenida, a caminho da praia, passando o sector do negócio de gado para as dunas, paredes-meias com os banhistas.

Continuavam também a realizar-se as festas religiosas, com programas de espectáculos e diversões, de que se destacavam as touradas, desportos aquáticos e participação das bandas de música de Odemira e Santiago do Cacém. Mais tarde, iniciaram-se as procissões fluviais em que participavam barcos de pescadores e banhistas e o próprio barco salva-vidas Rio Mira, uma bela embarcação do tipo “baleeira”. Nos anos 50 e 60 começaram também a ser frequentes os bailes ao som das músicas da moda que tocavam ao som da grafonola e de discos de 78 rpm.

O Guia de Portugal, de 1927, no volume dedicado ao Sul, faz uma breve referência à Zambujeira do Mar, menciona a “insignificante” praia do Almograve e presta algumas informações obre Milfontes. As notas escritas por Sarmento de Beires referem Milfontes como tendo óptimas condições balneares, com um clima temperado, o ar fortemente salino, o mar muito azul, mas com uma praia modesta, frequentada apenas por famílias de Odemira. Refere a existência de “raras casas de aluguer e deixando muito a desejar” e três hospedarias “de ínfima ordem”. O pequeno comércio local também se limitava apenas a três lojas de mercearia de artigos diversos. Acrescentava que na falta de clubes de diversões “pode-se matar o tempo pescando, caçando, remando, explorando as Furnas, barquejando no rio, estendendo os passeios sobre a areia até ao Canal, pequeno ancoradouro a 2 Km a N. Da vila, e a Ponta do Ladoiro, trepando para admirar um dos mais belos panoramas da região, à serra de S. Domingos, ou gozando da frescura da vegetação do chamado Bosque […]”11.

Até aos anos 40 do século XX, as praias do concelho continuaram a ser usadas sobretudo pela população local. Um dos principais factores para a prevalência desta situação eram as dificuldades de transporte: a má rede de estradas, mesmo numa altura em que o automóvel se ia afirmando como um importante meio de transporte; e a linha de caminho-de-ferro passava longe. Assim, esta região continuava a ser bastante isolada e de difícil acesso.

Em 1942, a Juventude Católica Feminina, de Beja, criou uma pequena colónia de férias, por iniciativa do cónego Joaquim Maria Lourenço, que acabou por ser o embrião de uma colónia balnear infantil, frequentada por crianças do interior enviadas por organismos corporativos do distrito de Beja, que aqui, pela primeira vez, se espantaram com a visão do mar. A partir de 1959, a colónia infantil foi complementada com um colégio feminino para ensino liceal, dando depois origem ao Instituo de Nossa Senhora de Fátima. Assinale-se também a existência de um pequeno centro de férias organizado por D. Maria Júlia de Brito Pais Falcão, membro de uma família de ricos proprietários fundiários, que trazia grupos de crianças do interior do concelho para passar férias em Milfontes, era a “colónia de S. José”, que funcionava em casa desta senhora, e que se extinguiu com a morte desta. A Liga dos Combatentes da Grande Guerra do concelho organizava, nos anos 40, uma colónia de férias anuais para os filhos dos sócios. E a Misericórdia de Odemira decidiu, em 1947, criar em Vila Nova de Milfontes, uma colónia para 12 crianças pobres, com duração de 15 a 20 dias.

Por esta altura, também se começavam a notar transformações nos hábitos dos veraneantes, que começaram a preferir o medo da Franquia, a que chamavam praia do Rio ou praia dos Medos, que tinha um vasto areal em acentuado declive, bem exposto ao sol, e como tal, mais adequado a banhos. Aqui armavam-se uma linha de toldos e de barracas de lona riscada azul ou vermelho. Foi também rasgada a Avenida Marginal, para dar acesso à praia. No início da década de 60, seria concedida a concessão de um café-restaurante amovível, bem como das barracas e dos toldos a Manuel Alexandre de Almeida, carpinteiro de profissão e comerciante, que devia manter sempre pronto um bote e um “banheiro” para segurança da praia. As restantes praias da zona tinham uma frequência diminuta. A praia do Farol, a mais resguardada da nortada, também passou a ter alguns frequentadores, mas o acesso a pé era difícil e tinha fama de perigosa devido ao repentino fundão.

Na vila, a Barbacã continuava a ser o miradouro sobre o estuário e local de reunião de banhistas e moradores. O “Café Pérola do Atlântico”, depois “Miramar”, propriedade de José Maria Brito Pais Falcão era, na Barbacã, o ponto de encontro. Em 1943, foi inaugurada uma escadaria da Barbacã até ao rio. Nos anos cinquenta, este espaço serviu também para a realização de Quermesses da festa da Nossa Senhora da Graça e de bailes nocturnos, abrilhantados por acordeonistas. Outro espaço cívico importante era o Rossio, com o correio, o mercado, o posto médico da Casa do Povo, o talho, uma taberna e uma padaria.

Mapa de Portugal datado de 1560

Na praia, os fatos de banho iam-se encurtando, apesar dos constrangimentos morais impostos pelo conservadorismo legislativo do Estado Novo. Desde meados do século XX, vemos as elites a usar fato de banho, cujo corte foi mudando e revelando, cada vez mais, a anatomia. Todavia, o maillot e o biquíni tiveram de travar uma batalha difícil nas praias de Milfontes. As primeiras utilizadoras destas peças, geralmente estrangeiras, eram forçadas a refugiar-se nas praias mais escondidas, ou então seriam chamas à atenção pelo próprio cabo do mar. Porém, a acção fiscalizadora não se fazia apenas sobre o género feminino, mas, igualmente, se exercia sobre os homens que, muitas vezes, despiam a parte superior do fato de banho ficando apenas em calções.

A partir de meados do século XX, a freguesia começou a perder população, que emigrava para Lisboa ou para o estrangeiro. Nos anos 60, este declínio populacional foi acentuado com a partida de muitos jovens para a guerra colonial. Reduziu-se também o número de marítimos, ao ponto de, em breve, se extinguir o movimento do porto comercial. Em 1966, saiu o último barco do porto.Turisticamente não havia grandes mudanças, e embora houvesse consciência da importância económica do turismo, o seu impacto local ainda não tinha alterado as características da vila, que terminado o período estival voltava à costumada pacatez. Os frequentadores de Milfontes continuavam a ser, nesta fase, os habituais proprietários fundiários, médicos, juristas, funcionários públicos e comerciantes. A maioria procedia da sede do concelho e de algumas freguesias, como S. Luís e o Cercal. Começavam também a surgir, cada vez mais, banhistas de Lisboa, embora alguns originários do Alentejo. A relação destes com os moradores da localidade eram efectuados através dos serviços prestados por estes, desde o aluguer de casas à minhoca que alguns rapazes da vila apanhavam para isco de pesca dos banhistas. A distinção entre os dois grupos era clara, estando separados económica e socialmente, com subalternidade da maioria dos naturais.

Os anos 60 foram de viragem no tipo de turismo local: aparecem mais turistas estrangeiros (franceses, ingleses alemães, holandeses), surgem os primeiros campistas e alguns veranistas de Lisboa começam a vir a estas praias assiduamente. Todavia, também entre a população do concelho a “ida à praia” se tinha tornado um fenómeno popular.

A partir dos anos 70, o turismo tinha iniciado um processo de massificação e deixado de ser um fenómeno elitista. Não que o modelo elitista tivesse desaparecido: as elites passaram a ser outras e o leque de recrutamento alargado socialmente, numa população cada vez mais urbana e num quadro de progressiva industrialização e terciarização da sociedade e do tecido económico, em que o direito a férias pagas estava largamente difundido.

Mais recentemente, o “Festival do Sudoeste” traz à Zambujeira do Mar, durante três ou quatro dias, milhares de apreciadores de conhecidod cantores e bandas musicais, o que tem contribuído para a divulgação da Zambujeira, no particular, e da costa alentejana, no geral.

As praias de Porto Covo, Milfontes, Zambujeira, Almograve e Odeceixe transformavam-se em estâncias da moda, frequentadas por portugueses e estrangeiros. O fluxo turístico foi aumentado de ano para ano. Progressivamente, foi afluindo dinheiro e multiplicou-se e diversificou-se a oferta comercial e de serviços, ocorrendo uma autêntica explosão da construção urbana. O turismo, apesar da sua sazonalidade, torna-se, localmente, o motor da economia e das mudanças e factor capital na conformação dos padrões de vida das populações.